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VIVA OS BUFÕES E PALHAÇOS

O bufão com seu repertório inesgotável de histórias muito querido e ao mesmo tempo vilipendiado Conseguiu achar uma estreita porta dos fundos para sua estimulante entrada! Mesmo lá aonde as autoridades estavam certas de ter conseguido bani-lo! Escondido nas entrelinhas da tradição Ele espera, junto aos seus semelhantes, para desmentir os velhos clichês da Idade das Trevas O sobrevivente palhaço de hoje com seu repertório inesgotável de histórias Muito querido e ao mesmo tempo vilipendiado consegue, aos trancos e barrancos achar uma estreita porta dos fundos mesmo aqui aonde as autoridades estão ainda mais convictas no projeto de bani-lo Explícito nas entrelinhas massificadas, usurpadas da tradição, ele espera, junto aos seus semelhantes, para desmentir as velhas ilusões da Idade das ofuscantes Luzes. Danúbia Ivanoff Referência bibliográfica para escrever este poema: BERTHOLD, Margot. Historia Mundial do Teatro – 4ª ed. – São Paulo: Perspectiva, p. 223, 2008...

PATRIARCADO

Os mesmos erros, Estamos andando em círculos? Passa-se os séculos Acabam com os milênios de evolução A vida é como se fosse um milênio de tentativas Para séculos de derrotas Depois dos enguiços de bater nossas estacas e amarrar nossos burros Procriar, procriar, procriar Nos estábulos que nos enfiamos Ou fomos enfiados Por vontade servil ou imposição brutal Depois de ligar e mover à maquina a carvão Com levantes e críticas ao patrão Dentro do progresso do porco Do indigesto modus operandi Não veem que ultrajante? Primeiro acabam com o matriarcado Com a igualdade política entre os sexos Depois toda casta de humilhados, jogados Os mesmos erros, no vão de eras Domínio do Patriarcado. E agora Marias, Patrícias e Helenas? Poderia Palas Atenas, Isis ou Hel salva-las Pagu, Mariele nos ajudar com tristes fins e fortes legados Porque ainda temos milênios de tentativas Para que um século dê certo! No vão de eras Estamos numa emboscada De uma luta ainda mais aci...

DO LAMAÇAL TÓXICO E HUMANO

I E então... Mais um desastre líquido Se escorre feito lama sepultando o rio. II Vilarejos sagrados de bois, pescados e inchada tudo por lama abaixo III Das consequências: Bilhões, povo clama por punições, indenizações IV Do irremediável rito, Cadáveres em natureza morta, Reergue-se: capitalismo de ferro na sociedade do risco. V E então... Mais um desastre ridículo Se escorre feito drama No seio da história humana.

SIGNIFICÂNCIAS POÉTICAS

Há súbita vida nas sementes dormentes Sob as vias dos transeuntes Poetas observam miudezas Estão ali, magicamente Entre os vãos dos arranha-céus Aconchegadas no inorgânico Avassalador Vibrando em chãos rudes, Em asfaltos progressivos Sob as retinas envelhecidas que nada vêem Ali está: A dormência das sementes O acordar dos pássaros que restam Resilientes a seu devir Nonada brota: Transgressora flor no concreto da urbes Vermelha! (Danúbia Ivanoff)

DOCE AMARGA ELA

Talvez seja o silêncio que faço Junto com o piar dos pássaros Que leva acalentar a solidão. Por certo é um hábito servi-lhe café todas as manhãs E assistir as horas escorrendo Feito um relógio de Dali. Dar bom dia a ela               que nada mais poderia            ser senão                               uma Lição                                       sim, uma lição...                             um pedaço do aprendizado frente os passos que dão os ponteiros exatos e calculados do relógio marcando o tempo precioso que temos em busca contínua de decifrá-la,                                 ...

PÂNTANO

Atravesso o pântano rumo ao efêmero Vou de encontro a dor que eleva o espírito Sinto a vida nas veias Teço esta manhã junto ao café que esfria Sigo reluzente no breu dos caminhos desconhecidos Quero amanhecer mas as vezes não consigo Observo com certa distância o barco levar o fracasso conformando-se com a imensidão do horizonte escasso e Ilusoriamente infinito... Contemplo a finitude das coisas com lágrimas salgadas, dentro petrificadas. Não alcanço meu querer que se acabou deslocado, envergonhado, dolorido Apenas queria dar minhas carícias, tocar o antes no agora: Apenas queria o impossível. (Danúbia Ivanoff)

MARINA SEGURA (à E.D e D.C)

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Hoje meu barco-amor aventureiro flutua avistando em praia populosa uma marina segura Antes, em mares tortuosos da vida, Piratas rondavam minha alma-velejadora Saqueavam paciência-ouro E levavam confiança-prata Em mim, por sorte, restou desacreditâncias nos amores-posse, sobrou mais amor próprio e desistências frente aos amores-choro, abandono aos amores-dependência e revolta armada contra os amores-saqueadores das mais puras especiarias da alma. Já faz algum tempo e estou milhas-distantes disso, naveguei pra dentro de mim. Hoje tenho as marolas-amigas como abrigo e, até nas praias desconhecidas e nas profundezas de mim,                                                         ...