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DOCE AMARGA ELA

Talvez seja o silêncio que faço Junto com o piar dos pássaros Que leva acalentar a solidão. Por certo é um hábito servi-lhe café todas as manhãs E assistir as horas escorrendo Feito um relógio de Dali. Dar bom dia a ela               que nada mais poderia            ser senão                               uma Lição                                       sim, uma lição...                             um pedaço do aprendizado frente os passos que dão os ponteiros exatos e calculados do relógio marcando o tempo precioso que temos em busca contínua de decifrá-la,                                 ...

PÂNTANO

Atravesso o pântano rumo ao efêmero Vou de encontro a dor que eleva o espírito Sinto a vida nas veias Teço esta manhã junto ao café que esfria Sigo reluzente no breu dos caminhos desconhecidos Quero amanhecer mas as vezes não consigo Observo com certa distância o barco levar o fracasso conformando-se com a imensidão do horizonte escasso e Ilusoriamente infinito... Contemplo a finitude das coisas com lágrimas salgadas, dentro petrificadas. Não alcanço meu querer que se acabou deslocado, envergonhado, dolorido Apenas queria dar minhas carícias, tocar o antes no agora: Apenas queria o impossível. (Danúbia Ivanoff)

MARINA SEGURA (à E.D e D.C)

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Hoje meu barco-amor aventureiro flutua avistando em praia populosa uma marina segura Antes, em mares tortuosos da vida, Piratas rondavam minha alma-velejadora Saqueavam paciência-ouro E levavam confiança-prata Em mim, por sorte, restou desacreditâncias nos amores-posse, sobrou mais amor próprio e desistências frente aos amores-choro, abandono aos amores-dependência e revolta armada contra os amores-saqueadores das mais puras especiarias da alma. Já faz algum tempo e estou milhas-distantes disso, naveguei pra dentro de mim. Hoje tenho as marolas-amigas como abrigo e, até nas praias desconhecidas e nas profundezas de mim,                                                         ...

VÁLVULA DE ESCAPE

Abdicar de mim Reles ser - que a ninguém dá orgulho - Inexistir para sempre Ainda jovem flor já murcha Haja coragem para não ser mais Haja vontade em ir Ao profundo mistério Da não-matéria Quisera forjar a inexistência Sem choros ao redor Sem arrependimentos Mas é tudo drama Sem dramaturgo É bem verdade Essa vida fadada a humilhações De todos os lados Já não salva o sol que estala É quente por demais E não combina com este meu coração frio O poema é sempre a válvula última de escape Depois dele Só mesmo a morte! (Danúbia Ivanoff)

RAZÃO DO POEMA

Bem sei que o que move o poema É mais morte do que vida Tal qual sentir-se Em areia movediça em que se quer imergir Ou em alturas imensas em que se quer precipitar Poema bom é poema que se joga Que se queima, que se rasga Os que rimam em métrica sem dor São como pessoas ricas a beira da piscina Feito ratos em risos e regozijos (totalmente dispensáveis para um mundo em crise) Poema preciso É poema que sangra e chora Que é batalha Para um poeta Os pássaros, as funduras dos lagos Os peixes, o farfalhar das árvores,  as belezas naturais Flores azuis rosas ou amarelas Não passam de disfarses Poema bom, é poema Cor de sangue, viceral É poema com um bocado de revolta e feiúra. (Danúbia Ivanoff)

UTOPIA COMO MÉTODO

Outro poeta dia desses me perguntou: - Qual é o método da sua poesia? Eu respondi: - Método? E a poesia é algo lá alcançável? O meu método é o sonho Meu método é a utopia De uma poesia sempre viva Que não tem fim  nem objetivo definidos.

IRONIA

Depois de termos entregado os corpos, Antes companheiros de intimidades, À dança fluida da vontade ou da paixão Depois de termos tocado nos seios Ou no pene sereno do moreno Termos inflado paixões Esmagado corações Saído pela culatra De uma arma quente e fria De aventuras e emoções... Depois de penetrados pouco a pouco Nos corações dos amantes Para dizer-lhes com cautela : não mais! Depois... Afastarmos-nos como estranhos Quase querendo esquecer a aventura Em nosso corpo marcada E em nossa boca denunciada Depois de tudo isso... Liberdade?