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Mostrando postagens de julho, 2016

VÁLVULA DE ESCAPE

Abdicar de mim Reles ser - que a ninguém dá orgulho - Inexistir para sempre Ainda jovem flor já murcha Haja coragem para não ser mais Haja vontade em ir Ao profundo mistério Da não-matéria Quisera forjar a inexistência Sem choros ao redor Sem arrependimentos Mas é tudo drama Sem dramaturgo É bem verdade Essa vida fadada a humilhações De todos os lados Já não salva o sol que estala É quente por demais E não combina com este meu coração frio O poema é sempre a válvula última de escape Depois dele Só mesmo a morte! (Danúbia Ivanoff)

RAZÃO DO POEMA

Bem sei que o que move o poema É mais morte do que vida Tal qual sentir-se Em areia movediça em que se quer imergir Ou em alturas imensas em que se quer precipitar Poema bom é poema que se joga Que se queima, que se rasga Os que rimam em métrica sem dor São como pessoas ricas a beira da piscina Feito ratos em risos e regozijos (totalmente dispensáveis para um mundo em crise) Poema preciso É poema que sangra e chora Que é batalha Para um poeta Os pássaros, as funduras dos lagos Os peixes, o farfalhar das árvores,  as belezas naturais Flores azuis rosas ou amarelas Não passam de disfarses Poema bom, é poema Cor de sangue, viceral É poema com um bocado de revolta e feiúra. (Danúbia Ivanoff)